Nota consolidando as três perguntas sobre a nova calculadora, com resposta executiva, quadro atual do portfólio, papel da tolerância ±10% e análise das exceções.
Para Iara · COO · De: Rayanne Oliveira, BackOffice Franquias
A pergunta precisa ser desmembrada. Dentro da régua hoje já são 99,94% dos avaliáveis (2.911 dentro do corredor + 487 fora com exceção validada; 2 pendentes). Abaixo da calculadora é outra coisa: significa cobrar menos que o custo real — não reduz custo, transfere pra franquia. Só faz sentido como decisão comercial consciente e caso a caso, não como meta agregada.
Mais para subir. Comparação bruta: 1.348 subiriam, 1.006 baixariam, 1.046 iguais. É retrato matemático, não recomendação: ignora a função dos 10% (absorver oscilação), ignora exceções válidas, e mistura franquias diferentes.
Predominantemente para baixo — aproximadamente 90% das 487 exceções registradas estão abaixo do valor calculado. Mostra que a exceção vem sendo usada como instrumento comercial de defesa de conversão, não como acomodação de sobrepreço.
| Recorte | Imóveis | Interpretação |
|---|---|---|
| Não-GOP · dentro do corredor ±10% | 2.234 | Dentro da régua de custo. |
| Não-GOP · fora do corredor · com exceção | 364 | Desvio justificado. Sem ação regular. |
| Não-GOP · fora do corredor · sem exceção | 2 | Pendente. Requer ajuste ou exceção formal. |
| GOP · dentro do corredor ±10% | 677 | Dentro da régua de custo (GOP não tem componente de deslocamento, por regra operacional). |
| GOP · fora do corredor · com exceção | 123 | Desvio justificado. Sem ação regular. |
| Total avaliável | 3.400 | — |
Fora do escopo de avaliação: 713 imóveis (617 não-ativos + 96 de gestão digital).
Três coisas ficam claras:
GOP e não-GOP têm estrutura de custo diferente por design operacional (GOP não tem deslocamento). Ambos são analisados sob a mesma régua ±10%, mas apresentados separadamente para preservar a leitura por tipo de operação.
Comparação bruta entre taxa vigente e valor calculado (ignorando o corredor ±10%):
| Direção | Não-GOP | GOP | Total |
|---|---|---|---|
| Subiriam (taxa < calc) | 1.000 | 348 | 1.348 |
| Baixariam (taxa > calc) | 763 | 243 | 1.006 |
| Iguais | 837 | 209 | 1.046 |
| Total avaliável | 2.600 | 800 | 3.400 |
Sem tolerância, o movimento predominante seria de elevação, não de redução — tanto no subconjunto não-GOP quanto no GOP, ambos com régua atuando como referência de custo em suas respectivas estruturas.
É retrato matemático. Três razões:
A calculadora é dinâmica. Ela acompanha os custos que variam ao longo do tempo: lavanderia, mão de obra, materiais de limpeza, amenities e deslocamento.
Se cada alteração da calculadora gerasse automaticamente revisão da taxa dos imóveis, o processo exigiria revisões recorrentes sobre aproximadamente 4 mil imóveis hoje, com projeção de 10 mil imóveis nos próximos dois anos.
A tolerância de ±10% funciona como regra de estabilidade operacional, não como margem matemática. Ela sustenta três coisas simultaneamente:
Sem a tolerância, a régua vira automaticamente uma máquina de revisão que a operação não consegue sustentar em escala.
Reduzir o corredor aumenta a sensibilidade da régua. Uma variação menor da calculadora já é suficiente pra tirar o imóvel do enquadramento. Parece um ganho de precisão, mas o efeito operacional aumenta na mesma proporção.
Pequenas variações de custo já disparam revisão.
Mais casos exigindo tratamento individual.
Cada imóvel fora do corredor exige análise, decisão, comunicação e atualização.
Mesmo imóvel pode entrar e sair do corredor várias vezes ao ano se o custo oscilar em torno do limite.
Taxa muda com mais frequência, dificultando planejamento financeiro da franquia.
Tanto para franquias (repasse) quanto para Seazone (comissão de 8%).
| Motivo | Exceções |
|---|---|
| Taxa padronizada do empreendimento | 182 |
| Taxa pesa demais na diária | 103 |
| Redução já acordada com a franquia | 84 |
| Ocupação baixa, não está vendendo | 47 |
| Alinha com as outras unidades do prédio | 15 |
| Muito acima da concorrência da praça | 12 |
| Solicitado pela franquia | 10 |
| Imóvel novo, sem histórico | 8 |
| Valor já validado pela Iara | 5 |
| Ocupação boa com a taxa atual | 4 |
| Sem motivo registrado | 18 |
Sobre a preocupação central:
"Nosso objetivo era ter visão do custo, mas conseguir reduzir, e a sensação é que aconteceu o oposto."
O que os dados mostram, respondido diretamente: a calculadora entregou o que se pediu dela — visibilidade do custo real. O que ela mostrou não foi um aumento de taxa nem uma recomendação de aumento. Mostrou que a taxa vigente já está, em boa parte do portfólio, abaixo do valor que representa o custo real. Isso não é efeito da calculadora — é o retrato do estado atual que a calculadora tornou visível.
A partir daí, cinco pontos:
Sobre a régua dos 10%: ela não é margem matemática, é regra de negócio que sustenta escalabilidade, estabilidade operacional e previsibilidade financeira das franquias. Antes de reduzir para ±5%, é necessário simular quantos imóveis a mais sairiam do corredor e medir o custo operacional atual por revisão. Sem esses números, apertar a tolerância é decisão sem visibilidade do custo que ela gera.